terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sem gelo, por favor.





Pra mim, a vida às vezes parece um copo de vodca seco, sem acompanhantes. Desce rasgando. E o engraçado disso, é como gosto de beber essa vida tão precocemente rápido. As sensações, os delírios e todo o frenesi que corroi o corpo, logo vem depois pra me fazerem esquecer a maldita queimação do gargalo. A vontade única e gritante de beber a vida num só gole me enlouquece por algumas vezes, mas sei que preciso das preliminares, das primeiras doses doces que me fazem sentir mais segura frente a mundo tão frustrante. Amadurecer de forma gradual dá uma certa segurança, o chato é esperar. Deve ser pedir demais, se embebedar com a vida e gozar de seus prazeres sem paranóias atormentando seu espírito. Sabe, não faço voto de inconseqüência, insanidade ou de algo totalmente desregrado e sem rumo, mas também não tenho nenhuma objeção daquela ‘sede’ de engolir o mundo ferozmente, pelo contrário, até aprecio. Minhas expectativas pelo belo acontecer, se reduzem ao nada quando vejo tudo tão intacto, monótono e cinza. Acho que viver além do esperado, a frente do seu tempo com brilho, é a chave para entrar nesse mundo tão criterioso que exige esse amadurecimento instantâneo mais cedo ou mais tarde. Além do que, vive-se mais cedo os amores, as alegrias, e as conquistas. Claro que também as decepções e dúvidas cruéis também vêem mais cedo, mas faz parte do roteiro, ta tudo no script!
Um dia, sem ninguém me pedir, ponho ordem a “casa”. Mas enquanto isso não acontece, vou alimentando esse pensamento meio ‘genioso’ e vejo depois onde vou parar. E tudo isso sem neuras!


Érika Cruz